Aplicativos virais: O que tem por trás dos divertidos APP’s.

Se você usou as redes nos últimos dias, pode ter ficado com a impressão de que as pessoas ficaram mais velhas. Esse viral foi graças ao aplicativo FaceApp, disponível para o Android e iPhone, que envelhece os rostos dos usuários, mostrando como eles ficarão daqui a alguns anos.

O aplicativo emprega um sistema baseado na inteligência artificial que analisa a fotografia para conseguir os efeitos desejados, envelhecer ou rejuvenescer, dando um realismo surpreendente.    Até aí, nada de novo do que não aconteça diariamente com centenas de aplicativos no mundo todo, mas no caso do FaceApp, existem fatos que fizeram disparar os alarmes:

Não é novidade que na internet atual,  construiu-se um modelo de negócios baseado na coleta, compartilhamento e comercialização de dados.

Mas vale ficar atento que entre os dados recolhidos, estão imagens e quaisquer outros materiais publicados pelo App, bem como o histórico de navegação do usuário na internet.

Se aceitam as condições de uso do aplicativo, é especificado no pedido de autorização que os dados podem ser cedidos a terceiros, mas não os usos que essas empresas poderiam fazer da informação. Além disso, não costuma ser um elemento no qual os usuários reparam quando continuam com a instalação.

Os primeiros alarmes sobre os riscos que o usuário corre ao baixar e utilizar o aplicativo não demoraram a chegar: o que acontece com as fotografias quando são transformadas e devolvidas ao usuário? Os termos de privacidade são muito vagos para despertar suspeitas e, como se não bastasse, os criadores do aplicativo dizem no contrato aceito pelo usuário que seus dados podem ser cedidos a terceiros. Cerca de 64% dos brasileiros não leem as condições de um app antes de baixá-lo e esquecem de pensar sobre como seus dados podem ser utilizados, ignorando as configurações de privacidade

Segundo o FaceApp, os dados são armazenados em servidores nos EUA, país  em que ainda não tem uma lei específica de proteção de dados, como a União Europeia ou o Brasil. Além disso, por não ter sede no Brasil, pode ser difícil acionar o FaceApp na Justiça no caso de um vazamento de dados massivo – ou mesmo em qualquer questão jurídica.

 

Fonte: Estadão